quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dinâmica: Júri simulado


Júri simulado
Objetivo: Debater o tema, levando os participantes a tomar um posicionamento; exercitar a expressão e o raciocínio; amadurecer o senso crítico.
Participantes:
Juiz: dirige e coordena as intervenções e o andamento do júri.
Jurados: ouvirão todo o processo e no final das exposições, declaram o vencedor, estabelecendo a pena ou indenização a se cumprir.
Advogados de defesa: defendem o “réu” (ou assunto) e respondem às acusações feitas pelos promotores.
Promotores (advogados de acusação): devem acusar o “réu” (ou assunto), a fim de condená-lo.
Testemunhas: falam a favor ou contra o acusado, pondo em evidência as contradições e argumentando junto com os promotores ou advogados de defesa.
Descrição da dinâmica:
1. Divide-se os participantes, ficando em números iguais os dois grupos - todos os participantes (exceto o juiz e os jurados) podem ser testemunhas.
2. Os promotores devem acusar o Neoliberalismo, a partir da realidade concreta da comunidade/bairro - município. Definir o Neoliberalismo como causa do desemprego, da fome, da violência e da miséria em que vive a maioria da população.
3. Os advogados defendem o Neoliberalismo. Defini-lo como sistema que respeita a liberdade individual, que promove a livre iniciativa e que desperta a criatividade e o espírito de competição em favor do bem de todos.
4. As testemunhas devem colaborar nas discussões, havendo um revezamento entre a acusação e a defesa, sendo que os advogados podem interrogar a testemunha “adversária”.
5. Terminado o tempo das discussões e argumentações dos dois lados, os jurados devem decidir sobre a sentença. Cada jurado deve argumentar, justificando sua decisão.
6. Avaliação e comentários de todos sobre o assunto discutido.
*Obs.: é importante fixar bem o tema, bem como os fatos que serão matéria do julgamento. Para isso poderá haver uma combinação anterior com todas as partes, preparando com antecedência, os argumentos a serem apresentados.
Giélia Silva Macedo,
Assistente Social e professora de Sociologia no Colégio Modelo, Itapetinga-BA.
Endereço eletrônico gieliasm@bol.com.br
Artigo publicado na edição 339, agosto de 2003, página 20.

 A seguir, uma sugestão de uma peça teatral. 
Tema: Meio ambiente
TRIBUNAL DE JÚRI
ABERTURA

            Entra o Juiz Presidente (todos se levantam). O Juiz ocupa seu lugar – (todos se sentam).
Juiz: Vai ser submetido a julgamento o processo em que consta nos autos o réu/a ré no Ministério do Paraná.
                        Declaro aberta a sessão.
                        (Estando presente o réu o Juiz fará as primeiras perguntas)
Juiz:     Qual o seu nome?
Réu:    _____________________________
Juiz:     Qual a sua idade?
Réu:    _____________________________
Juiz:     O Senhor tem Advogado?
Réu:    Tenho sim Senhor.
Juiz:     Quem é?
Réu:    Doutor__________________________
Juiz:     Determino ao Senhor Escrivão que convide o Advogado a ocupar a tribuna de defesa.
Escrivão: Este Tribunal convida ao Doutor______________________, Promotor de Justiça a ocupar o lugar da acusação.
Promotor: Obrigado Excelência.
Juiz:     Agora vamos ao sorteio dos jurados para a formação do conselho se sentença. Aviso aos jurados sorteados no plenário que não poderão funcionar como jurados “marido e mulher” ou parentes. Que a acusação e a defesa se manifestem quanto à aceitação dos jurados sorteados, podendo, cada um, recusar até três nomes.
Juiz: Senhor___________________________
Doutor: Recuso Excelência. A família deste moço é dono de uma serraria e ela, com certeza, não estarão colocando a preservação do meio ambiente em primeiro lugar.
Juiz: Devo a bem de a verdade lembrar a defesa que basta dizer o nome do jurado até o número de três, não precisando dizer suas razões.
Juiz: Senhor____________________________
Doutor: Aceito com prazer.
Promotor: A acusação recusa.
Juiz: Esta recusada, obrigado.
Juiz: Senhor____________________________
Doutor: Aceito com prazer.
Promotor: A acusação aceita.
Juiz: Senhor____________________________
Doutor            A defesa aceita.
Promotor: Aceito.
Juiz: Senhor____________________________
Doutor: Aceito.
Juiz: Senhor____________________________
Doutor: Aceito com prazer.
Promotor: Aceito.
Juiz: Senhor_____________________________
Doutor: Aceito.
Promotor: Aceito, Excelência.
Juiz: Senhor_____________________________
Doutor: A defesa aceita, excelência.
Promotor: Aceito.
Juiz: Senhor_____________________________
Doutor: Aceito.
Promotor: Aceito.
Juiz: Peço a todos que se levantem para o compromisso do conselho de sentença deste Tribunal.
“Senhores jurados em nome da Lei convidam-vos a examinar com imparcialidade esta causa proferir a vossa decisão de acordo com a vossa decisão de acordo com a vossa consciência e a justiça.
Jurado: Sr.______________________________”Assim o prometo”
Jurado: Sr.______________________________”Assim o prometo”
Jurado: Sr.______________________________”Assim o prometo”
Jurado: Sr.______________________________”Assim o prometo”
Jurado: Sr.______________________________”Assim o prometo”
Jurado: Sr.______________________________”Assim o prometo”
Jurado: Sr.______________________________”Assim o prometo”

Juiz:     Podem sentar.
Juiz:     Em seguida o interrogatório do acusado.
O Senhor não está obrigado a responder as perguntas, mas caso não as responda o seu silêncio poderá prejudicar sua defesa.
O Senhor conhece as testemunhas?
Réu: Sim.
Juiz: É amigo íntimo, inimigo ou parente de qualquer uma deles?
Réu: Não excelência, eu apenas o conheço.
Juiz: O Senhor é acusado do seguinte:
Conforme consta do Inquérito Policial nº. 010/89, no dia 20 de abril deste ano o Sr, pôs fogo em sua roça de soja e não tendo tomado as devidas precauções, o fogo alastrou-se para a mata do bosque da cidade, incendiando dezenas de árvores e matando muitos animais, ofendendo assim a lei que protege o meio ambiente. É verdade essa acusação?
Réu: É, mas foi um incidente. Porque naquele dia eu só queria queimar meus dois alqueires de soja, que eu já tinha colhido, para plantar o trigo.
Juiz:                 Para o escrivão que digita:
                        “Às perguntar respondeu o réu que conhece as testemunhas de acusação e defesa, mas que não é amigo íntimo, inimigo ou parente de nenhuma delas. Que no dia da queimada pretendia apenas queimar os restos de sua roça de soja pra o plantio de outra cultura, não esperando que o fogo espalhasse”.
Juiz:                 Chamo para depor a testemunha de acusação. O Senhor____________________
Juiz:                 Apresente-se a testemunha de acusação. O Senhor________________ e tome seu lugar.
                        (a testemunha entra e senta)
Juiz:                 O Senhor Jura dizer a verdade em nome da lei?
Testemunha:    Juro
Juiz:                 O que o Senhor sabe sobre o crime de destruição do meio ambiente cometido pelo Senhor________________?
Testemunha:    Nós somos vizinhos e quando ela me disse que ia queimar a palha de soja para plantar o trigo eu avisei que era perigoso e que o fogo poderia se espalhar. Disse também que esta prática de por fogo na lavoura não se usa mais, isso prejudica muito a qualidade do solo, além de por em risco nossas matas e animais, põem em risco a própria vida humana, e que por isso é contra a Lei atear fogo.
Juiz:                 Pode se retirar, obrigado. (a testemunha levanta e sai).
Juiz:                 Chamo para depor a testemunha, Senhor___________________, pela defesa. Que tome seu lugar (a testemunha entra e senta).
Juiz:                 O Senhor Jura dizer a verdade em nome da lei?
Testemunha:    Juro.
Juiz:                 O que o Senhor sabe sobre o crime de destruição do meio ambiente cometido pelo Senhor_______________?
Testemunha:    Excelência eu conheço o réu, o Senhor__________________, da escola onde estudamos juntos e ele sempre foi uma pessoa que sempre ajudou os outros.
No dia que o fogo pulou do sítio dele para a mata do bosque ele fez de tudo para apagar o fogo até a noite. Eu mesmo vi quantos animais ele ajudou a salvar. Então eu tenho certeza de que ele não esperava que acontecesse o desastre que foi o incêndio.
Juiz:                 Pode se retirar, obrigado. (a testemunha levanta e sai)
Juiz:                 Passo a palavra ao Dr. Promotor lembrando que terá o prazo de 10 minutos para expor razoes de acusação.
Promotor:        Tenho hoje a oportunidade e satisfação de ter como Presidente desse Tribunal um homem do mais alto grau cultura e sendo de justiça.
                        Aceite Meritíssimo Juiz esta homenagem da acusação. Quero ainda estender minha homenagem ao Doutor_______________________, brilhante defensor do réu.
                        Senhores Jurados: Vossas Senhorias tiveram a oportunidade de presenciar a confissão do próprio réu que assume o crime de causar a queimada de dezenas de arvores e morte de vários animais que viviam no bosque de nossa cidade, vizinho de sua propriedade. Sem dúvida que ao observarmos as provas, concluiremos que o réu merece ser condenado pela destruição do meio ambiente.
                        O réu pode dizer que não teve a intenção, mas devemos proteger nossas matas e animais pra preservar a própria vida humana na terra. Pois as matas mantêm o equilíbrio da temperatura do planeta e sem as matas o clima vai tornar-se insuportável.
                        E é em nome desse direito que a Promotoria pede a condenação do réu.
Juiz:                 Aviso que o tempo de acusação esta esgotado. Passo a palavra ao defensor do réu, Doutor________________, que também terá o prazo de 10 minutos para fazer sua defesa.
Dr.                   Meritíssimo Juiz, aceite as homenagens da defesa no sentido de reconhecer publicamente os serviços de julgador que Vossa Excelência tem prestado a este estado.
                        Homenageio também o Dr. Promotor, ilustre acusador que tão jovem já ocupa tão alto cargo na justiça paranaense.
                        Senhores Jurados: A acusação tentou transformar a ré num verdadeiro monstro, perigoso para toda a sociedade.
Na verdade este raciocínio é injusto e merece a censura de nossas consciências.
                        Carreguem isso durante o julgamento.
                        Quando o réu queimou sua roça ele usou uma pratica que era muito comum na agricultura. Sabemos hoje que isso somente prejudica o solo e que o manejo do solo mudou muito. Mas o réu em sua simplicidade só fez o que foi ensinado pelos seus pais e se crime, então são muitos os criminosos. Alem disso, conforme declarou a própria testemunha, o Senhor__________________, ele não esperava aquele resultado e ate ajudou a combater o fogo e salvar a vida dos animais do bosque. E que tem toda a capacidade para aprender a usar o solo corretamente se lhe for ensinado.
                        O maior crime será o nosso se condenarmos a cumprir pena numa prisão uma pessoa que sempre agiu corretamente dentro comunidade. Aqueles que vão para prisão nem sempre sabem de crimes. Mas de lá saem sabendo tudo.

Juiz:                 O prazo da defesa está esgotado.
Juiz:                 O réu gostaria de dizer alguma coisa?
Réu:                 Sim, Excelência. Gostaria de dizer a todos os que me assistem agora que estou no banco dos réus porque mereço. Quando eu fiz a queimada na minha rocinha eu fui egoísta e só pensei nas vantagens que eu teria se plantasse meu trigo mais rápido e com menos trabalho. Não percebia que com isso eu estaria pondo em risco o meio ambiente e toda a população de nossa cidade e que não devemos por fogo na terra, pois isso prejudica o solo. Agora eu sei que se todos os lavradores fizessem isso o nosso planeta verde viraria uma grande bola de fumaça. Estou pronto a pagar pelo meu erro. Obrigado.
Juiz:                 Os membros do corpo de jurado podem se retirar para a sala secreta de onde deverão voltar com seu veredito. (jurados se retiram para o canto e conversam)
Juiz:                 Aviso aos presentes que se qualquer um perturbar a livre manifestação do conselho será obrigado a deixar o local e pagar uma multa de 100,00 (cem reais).
Jurados:           (Depois de voltarem e sentarem nos seus lugares)
                        Nós já temos o veredito, Excelência.
Juiz:                 Que seja anunciado o resultado.
Jurados:           Por quatro votos contra três o réu foi considerado culpado pelo incêndio da mata do bosque de nossa cidade. A vossa Excelência cabe aplicar a pena.
Juiz:     Devido ao arrependimento do réu, que reconheceu voluntariamente seu crime e a sua própria consciência de que é preciso preservar o verde para o bem estar da humanidade, condeno o réu, o Senhor _____________, a plantar uma árvore no terreno da escola, na presença de todos, para assim dar o bom exemplo, ajudar na conscientização da comunidade de que não se deve por fogo na lavoura e, finalmente, e mais importante, repor as árvores do bosque que foram destruídas com o incêndio.
            (está encerrada a sessão)

Créditos:
A peça teatral foi escrita originalmente por mim, Geisa M. M. Mota e adaptada/ dirigida com o apoio do Dr. Genta em 1992(?). Ela foi apresentada pela primeira vez na gincana na Escola Estadual 1º de Maio, no município de São Pedro do Ivaí – PR.
Tempos depois apresentamos na gincana na Escola Estadual “Distrito Mariza”, distrito Marisa em São Pedro do Ivaí, e em seguida, em São João do Ivaí nas escolas: Escola Estadual do Luar e Escola Estadual “José de Matos Leão.”
A obra objetiva a conscientização ambiental. De fato, tal problema, é apenas uma simulação de um tribunal do júri.


5 comentários:

  1. Obrigada, bem estruturado e esclarecedor.

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  2. Parabéns! Queria ter me fazer presente para vê-los.

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  3. Muito boa a dinâmica. Vou utiliza-lá para o Ensino Médio.

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  4. Obrigada pelos elogios! Não consegui as fotos para ilustrar, pois esse trabalho foi realizado há muito tempo.Essa proposta é muito importante, principalmente se a direção conseguir autorização para levar os estudantes num dia de júri.Fiquem à vontade para implementar o texto! Se puderem, usem a referência. Abraços!

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