PAISAGEM

ORAÇÃO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

OH! JESUS MEU ETERNO PAI DO CÉU, DOCE CORAÇÃO DE JESUS, SOIS O ME REFÚGIO, MEU GUIA, MINHA LUZ QUE ILUMINA TODO MEU CAMINHO, ME PROTEJA, ME AJUDE, ME DÊ ÂNIMO, CORAGEM E MUITA CONFIANÇA. FIQUE SEMPRE COMIGO. DAI-ME UMA PAZ QUE BROTA DO MEU CORAÇÃO. DAI-ME A GRAÇA DE CONSEGUIR FAZER ALGO PARA VOS AGRADAR. DAI-ME FORÇA, A DECISÃO E CORAGEM. ENVIE TEU ESPÍRITO SANTO E TUDO SERÁ CRIADO. NÃO DEIXE TARDAR EM VOS AGRADECER. ILUMINE MINHA MENTE QUE DEVO FAZER. AJUDE QUE EU NÃO ME ESQUEÇA DE VOS AGRADECER. JESUS FIQUE SEMPRE COMIGO. DOCE CORAÇÃO DE MARIA, RAINHA DO CÉU E DA TERRA. SEJA NOSSA SALVAÇÃO. AMÉM

Observação: Esta oração foi escrita por minha mãe em seus últimos dias de vida /1993. Saudades!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Descrição do Rio Ivaí



O rio Ivaí é um rio brasileiro que banha o estado do Paraná em toda a sua extensão.
O rio Ivaí nasce no município de Ivaí, através da confluência das águas do rio dos Patos com o rio São João. Após percorrer inúmeros municípios do estado do Paraná, o rio Ivaí desagua em um braço do rio Paraná. O povoado de Pontal do Tigre no município de Icaraíma é situado à margem Sul da foz do Ivaí, e o município de Querência do Norte à margem Norte.
O rio Ivaí é um dos grandes rios paranaenses. Sua principal característica é a cor da suas águas que na maior parte do ano é marron ou vermelha. A confluência de suas águas com as do rio Paraná exibe o fenômeno de instabilidade hidrodinâmica com formação de vórtices semelhantes aos observados na junção dos rios Negro e Solimões, na formação do rio Amazonas, popularmente conhecido como o encontro das águas

O homem nu, de Fernando Sabino


Ao acordar, disse para a mulher:
— Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão, vem aí o sujeito com a conta, na certa.  Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou sem nenhum tostão.
— Explique isso ao homem — ponderou a mulher.
— Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém.Deixa ele bater até cansar — amanhã eu pago.
Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão.  Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento.
Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos:
— Maria! Abre aí, Maria. Sou eu — chamou, em voz baixa.
Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro.
Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares...  Desta vez, era o homem da televisão!
Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão:
— Maria, por favor! Sou eu!
Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão.
Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.
— Ah, isso é que não!  — fez o homem nu, sobressaltado.
E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror!
— Isso é que não — repetiu, furioso.
Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar.  Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador.  Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer?  Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu.
— Maria! Abre esta porta! — gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si.
Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho:
— Bom dia, minha senhora — disse ele, confuso.  — Imagine que eu...
A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito:
— Valha-me Deus! O padeiro está nu!
E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha:
— Tem um homem pelado aqui na porta!
Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava:
— É um tarado!
— Olha, que horror!
— Não olha não! Já pra dentro, minha filha!
Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta.
— Deve ser a polícia — disse ele, ainda ofegante, indo abrir.
Não era: era o cobrador da televisão.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL !

Que a proteção do menino Jesus chegue a todos os visitantes desta página.Feliz Natal a todos!

ATRAVÉS DA FÉ INCUTIREMOS NA MENTE DIAS DE PAZ, HARMONIA E PROSPERIDADE. BASTA SOMENTE ACREDITAR QUE AS REALIZAÇÕES QUE MERECEMOS FLUIRÁ NO DIA E HORA ABENÇOADA. Geisa

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Informações essenciais em Língua Portuguesa

Gêneros discursivos: “Os gêneros discursivos são unidades de sentido com propósitos comunicativos, pois manifestam diferentes intenções do autor: informar, convencer, seduzir, entreter,... e priorizam a comunicação e o intercâmbio sócio-cultural, que advém de processos cognitivos e conhecimentos acumulados ao longo de sua história."
• Os gêneros discursivos são advindos das diversas esferas sociais do conhecimento que fornecerá subsídios como um objeto de estudo. Essa esfera de comunicação possibilita organização da progressão curricular por gêneros textuais, tais como: 

ALGUMAS ESFERAS DAS PRÁTICAS DE LINGUAGEM

ESCOLAR, RELIGIOSA, PUBLICITÁRIA, JORNALÍSTICA, CIENTÍFICA, COTIDIANA, CRIAÇÃO LITERÁRIA, ETC.

Segundo Bakthin:
  • o conteúdo temático é o sentido, o assunto, que determinado gênero aborda;

  •  a construção composicional é a maneira de se estruturar o texto, diz respeito à forma;

  •  o estilo diz respeito a particularidade de cada texto.

Definições importantes:

Forma Composicional
Forma(s) de organização/ estruturação global dos textos pertencentes àquele gênero;
Partes típicas dos textos pertencentes àquele gênero e suas relações/formas de conexão (multimodalidade).

Estilo
Seleção dos recursos da língua: Lexicais, fraseológicos, gramaticais, discursivos, etc.

Tema é... (Bakhtin/Volochinov, 1929) “O «tema» é um sistema de signos dinâmicos e complexo. A «significação» é um aparelho técnico de realização do tema”
(Bakhtin/Volochínov, 1929: 143).

Os discursos prescritivos oficiais para a adoção das práticas discursivas como objeto de ensino e aprendizagem: 1997 a 2009...
PCNs
Diretrizes Curriculares do Paraná (DCE)
Matrizes Curriculares para a Prova Brasil e SAEB
Descritores para a Prova Brasil
Vestibulares
ENEM
Olimpíada Nacional de LP (MEC)
Olimpíada Nacional de Língua Portuguesa: CENPEC / MEC
Formação de professores nos anos ímpares;
Implementação de sequências didáticas (DOLZ) nos anos pares;
SD com os seguintes gêneros textuais para 2010:
Poema
Crônica
Memória literária
Artigo de opinião 


Onde a noção de gênero discursivo está implícita?
Informações essenciais para ser um leitor competente

  • Entender um texto é encontrar as pistas enunciativas, ou seja, nas entrelinhas.
  • Há uma diferença entre a chamada “leitura crítica”, a interpretação de um texto escrito em relação às suas condições de produção, e a “leitura passiva”, a simples decodificação de sinais e informações superficiais de um texto. Esta última prática foi, por muito tempo, aceita como o único modo de leitura textual.
  • A leitura crítica pressupõe a presença de um leitor crítico. Ou seja, uma pessoa não apenas capaz de “agir”, mas principalmente de “interagir” com a sociedade em que vive; um indivíduo ciente de seus direitos e deveres e, por isso mesmo, em condições de transformar o seu meio social.

Passos da leitura de base Semiótica 


Orientações basilar para análise de um objeto de estudo

A - FAZER-SABER: E a superficialidade do texto (intentio autoris).
1ª etapa – Exploração das informações presentes na superfície discursiva de um texto escolhido para objeto de estudos, como: fatos narrados, ideias, opiniões, impressões, sentimentos, comentários etc. Trata-se, portanto, da decodificação das informações explícitas do texto. 

B - FAZER- CRER: O que o texto está dizendo? (Intentio operis)  
2ª etapaO plano de expressão, de quaisquer gênero discursivo (por exemplo, uma novela em episódios) deve-se ter como base o desvelamento das significações no plano de conteúdo, que são as pistas enunciativas. 
  • Essas análises perpassam pelo percurso gerativo de sentidos dos enunciados de modo a explicitar as informações implícitas dos textos e, por extensão, a motivação ideológica do texto.
  • Questões discursivas de acordo com a competência leitora do educando de acordo com os níveis de compreensão, análise e interpretação.  
C. FAZER- FAZER: - Ideologia do leitor (Intentio lectoris) - É quando convido o aluno a expressar sobre o texto. 
  • 3ª etapaNessa última etapa importará a opinião do leitor sobre o texto e a sua (re) contextualização aos temas abordados. Tais temas devem ser selecionados de forma a explorar a imanência das ideias valorativas do discurso analisado.
  • A contextualização dos valores deve ser trabalhada com o uso de intertextos e TICs. Elas contribuirão para aguçar e despertar o senso crítico e reflexivo do alunado e para transposição desses conhecimentos a sua vida em sociedade.  
Obs.: Sugestões de leitura dentro da teoria semiótica de J. L. Greimas ( linha francesa).


REFERÊNCIAS

BARROS, D.L.P. Teoria do discurso. 3.ed.São Paulo:Humanitas/FFLCH/USP,2002.


______. Teoria semiótica do texto. 4. ed. São Paulo: Ática, 2003.


FIORIN, José Luiz e SAVIOLI, Francisco Platão. Lições de texto: leitura e redação. 5.ed. São Paulo: Ática,. 2006.


______. Para entender o texto – Leitura e Redação. São Paulo: Ática, 1999.

PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Diretrizes Curriculares de Língua Portuguesa para a Educação Básica. Curitiba, 2008.


Fonte: a autora.

domingo, 12 de dezembro de 2010

O nome do Papai Noel em outros países

- Alemanha: (Weihnachtsmann, O "Homem do Natal")
- Argentina, Espanha, Colômbia, Paraguai e Uruguai: (Papá Noel)
- Chile: (Viejito Pascuero)
- Dinamarca: (Julemanden)
- França: (Père Noël)
- Itália: (Babbo Natale)
- México: (Santa Claus)
- Holanda: (Kerstman, "Homem do Natal)
- Portugal: (Pai Natal)
- Inglaterra: (Father Christmas)
- Suécia: (Jultomte)
- Estados Unidos: (Santa Claus)
- Rússia (Ded Moroz).

Você sabia disso?

Por que o galo canta ao amanhecer?

Quando nasce o dia, ele canta bem alto para avisar ao galinheiro que continua vivo e no comando.
O canto tem a função de assustar eventuais desafiantes e foi à forma que ele encontrou para controlar seu território.
O galinheiro tem somente um galo porque se tivesse dois, apenas um sobreviveria à luta pela liderança.

O que foi o “bloody sunday”?

Expressão "bloody sunday" vem do inglês e quer dizer domingo sangrento.
No dia 30 de janeiro de 1972, católicos da Irlanda do Norte foram às ruas pacificamente. Eles protestavam contra as leis discriminatórias impostas pela maioria protestante. As tropas britânicas atiraram contra os manifestantes, matando 13 pessoas.
Outro católico morreu dias depois em virtude dos ferimentos. Até hoje a minoria católica da Irlanda do Norte briga pela anexação do território à Irlanda, de maioria católica.
Já os protestantes querem que o país continue sendo subordinado ao Reino Unido, de maioria protestante.
O “domingo sangrento” desencadeou uma escalada de violência e atos terroristas.
Fonte: http://www.minutodesabedoria.com.br/pages/curiosidades.asp?id_curiosidade=8 e acesso em 16 maio 2010.
 
Curiosidades: NOMES/ELEMENTOS
  • Albert Einstein /Teoria da Relatividade
  • Sigmund Freud /Psicanálise
  • Rutherford e Bohr /Estudo da constituição do átomo
  • Pavlov/Teoria dos reflexos condicionados
  • Max Planck/Teoria Quântica
  • Marc Bloch e Lucien Febvre /Renovação da História
  • Alexander Fleming /Descoberta da penicilina

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Para sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond
Fonte: http://www.memoriaviva.com.br/drummond/poema039.htm

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Acredite: Deus só dá asas para quem quer voar. Tudo depende de você e não do outro.(Geisa)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Canção do exílio, de Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

De Primeiros cantos (1847)
“Vamos brincar de imaginar um mundo diferente/
As pessoas deixam de ser coisas e passam a ser gente!”
(Roberto Freire)

sábado, 13 de novembro de 2010

Crônica: A VELHA CONTRABANDISTA

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega – tudo malandro velho – começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal perguntou assim para ela:
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu como os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que adquirira no odontólogo, e respondeu:
- É areia!!!
Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai !! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um me seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia. Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tia da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco só tem areia ! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias ?
- O senhor promete que não “espáia”? – quis saber a velhinha.
- Juro – respondeu o fiscal.
- É a lambreta!
Stanislaw Ponte Preta, in Para gostar de ler, editora Ática.

A canção dos tamanquinhos

Troc... troc... troc... troc...
ligeirinhos, ligeirinhos,
Troc... troc... troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...
Madrugada. Troc... troc
pelas portas dos vizinhos
vão batendo, troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...
Chove. Troc... troc... troc...
no silêncio dos caminhos
alagados, troc... troc...
vão cantando os tamanquinhos...
E até mesmo, troc... troc...
os que têm sedas e arminhos,
sonham, troc... troc... troc...
com seu par de tamanquinhos
Cecília Meireles

Breve biografia:
Cecília Meireles (1901-1964) nasceu e morreu no RJ. Criada pela avó (os pais morreram quando ela era apenas um bebê), sempre foi uma aluna brilhante. Cecília iniciou parnasiana, fez duas obras mais simbolistas e depois ligou-se ao Modernismo, mas nunca realmente pertenceu totalmente a uma escola. Escreveu uma obra extremamente intimista e foi reconhecida largamente: foi a primeira mulher a ganhar um prêmio da ABL, ensinou na UERJ e na universidade do Texas. Além de poetisa, Cecília também foi teatróloga e tradutora.

sábado, 6 de novembro de 2010

Amor é fogo que arde sem se ver


Texto I
Monte Castelo, Legião Urbana
Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

fonte: http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22490/




Texto III
Amor é fogo que arde sem se ver


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;


É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;


É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luís Vaz de Camões