Há
milhões de anos, durante uma era glacial, quando parte de nosso planeta
esteve coberto por grandes camadas de gelo, muitos animais, não
resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem
às condições.
Foi,
então, que uma grande quantidade de porcos-espinho, numa tentativa de
se proteger e sobreviver, começaram a se unir, juntar-se mais e mais.
Assim,
cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem
unidos, agasalhavam uns aos outros, aqueciam-se mutuamente, enfrentando
por mais tempo aquele frio rigoroso.
Porém,
vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros
mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele
calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos,
magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os
espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito...
Mas
essa não foi a melhor solução! Afastados, separados, logo começaram a
morrer de frio, congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar
pouco a pouco, com jeito, com cuidado, de tal forma que, unidos, cada
qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente
para conviver sem magoar, sem causar danos e dores uns nos outros.
Assim, suportaram-se, resistindo à longa era glacial. Sobreviveram.
É fácil trocar palavras, difícil é interpretar o silêncio!
É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos, difícil é reter o calor!
É fácil conviver com pessoas, difícil é formar uma equipe!
Fonte: http://danielnerib.blogspot.com/search/label/Contos%20e%20F%C3%A1bulas

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