segunda-feira, 14 de maio de 2012

Versificação e tipos de poemas


É o conjunto de normas que ensinam a fazer poemas belos e perfeitos segundo o conceito dos antigos gregos. Para eles, beleza e perfeição são sinônimos de trabalhoso, detalhado, complexo e tudo aquilo que segue a um modelo, a um conjunto de normas. É, assim, a técnica ou a arte de fazer versos.

Verso é cada linha de um poema. Ocorre em sílabas longas ou breves (versos métricos), de acordo com o número de sílabas versos silábicos ou versos rítmicos.
“{Quem é esse viajante  }1º VERSO
Quem é esse menestrel   }2º VERSO
Que espalha esperança   }3º VERSO
E transforma sal em mel?”}4º VERSO
(Milton Nascimento)

Escandir ou fazer a escansão dos versos é indicar suas sílabas métricas e seus acentos.

1) Observe as sílabas tônicas predominantes do verso – 3ª e 7ª - e as elisões que aparecem.
1
2
3
4
5
6
7
8
Em
cis
mar
so
zi
nho a
noi
te
Mais
pra
zer
en
con
tro eu

Mi
nha
ter
ra
tem
pal
mei
ras
On
de
can
ta o
sa
bi
á


2) Quando duas ou mais vogais se encontram no fim de uma palavra e começo de outra, e podem ser pronunciadas simultaneamente, unem-se numa só sílaba métrica.  Quando essas vogais são diferentes, o processo chama-se elisão e quando são vogais idênticas, crase.
 
Ex:  E|la+es|ta|va|só  (Elisão)    e     fo|ge+e|gri|ta     (Crase)
        1     2       3   4     5                             1         2       3  

A classificação do verso quanto ao número de sílabas:
- Monossílabo – versos com uma sílaba.
- Dissílabos – versos com 2 (duas) sílabas.
- Trissílabos – versos com 3 (três) sílabas.
- Tetrassílabos – versos com 4 (quatro) sílabas.
- Pentassílabos – versos com 5 (cinco) sílabas ou chamado de redondilha menor.
-  Hexassílabos – versos com 6 (seis) sílabas.
- Heptassílabos – versos de 7 (sete) sílabas ou chamado de redondilha maior.
- Octossílabos – versos com 8 (oito) sílabas.
- Decassílabos – versos com 10 (dez) sílabas.
--Hendecassílabos – versos com 11 (onze) sílabas.
- Dodecassílabos – versos com 12 (doze) sílabas ou chamado de alexandrino.
- Verso bárbaro – versos com mais de 12 (doze) sílabas.

 Estrofe é o conjunto de vários versos.
Classificam-se em:
- Monóstico – só um único verso.
- Dístico – dois versos.
- Terceto – três versos.
- Quadra – quatro versos.
- Quintilha – cinco versos.
- Sextilha – seis versos.
- Septilha – sete versos.
- Oitava – oito versos.
- Nona – nove versos.
- Décima – dez versos.

Rima é a sucessão de sons fortes ou fracos repetidos com intervalos regulares ou variados. Pode ser avaliada quanto ao valor e combinações.

Classificação quanto à rima de valor:
- Toante – repetição de sons vocálicos.
- Aliterante – repetição de sons consonantais.
- Consoante – repetição de todas as letras e sons.
- Aguda – rimas de palavras oxítonas.
- Esdrúxula – rimas de palavras paroxítonas.
- Ricas – rimas de palavras raras.
- Pobres – rimas de palavras comuns.

Classificação quanto à rima de combinações:
- Emparelhada – ocorrem de duas em duas (AABB)
- Alternadas – ocorrem de forma alternada (ABAB)
- Interpoladas – ocorrem de forma opostas (ABBA)
-  Mistas – tudo embaralhado (ABACDCD)

Outras dicas com exemplos:
a) emparelhadas ou paralelas (aabb)     b) cruzadas ou alternadas (abab)
    “Vagueio campos noturnos    a           “Se o casamento durasse     a
     Muros soturnos                a           Semanas, meses fatais       b
     Paredes de solidão             b            Talvez eu me balançasse     a
     Sufocam minha canção.”           b               Mas toda a vida... é demais! “ b
     (Ferreira Gullar)                                                  ( Afonso Celso)
 
c) opostas, intercaladas ou interpoladas (abba)
     “Não sei quem seja o autor     a
     Desta sentença de peso          b
     O beijo é um fósforo aceso      b
     Na palha seca do amor!”              a       (B. Tigre)
 
d) continuadas: consiste na mesma rima por todo o poema.
 
e) misturadas: são as rimas que não seguem esquematização regular.
 
f) VERSOS BRANCOS: são os do poema sem rima.

Fazem parte do estudo do som ou rimas as FIGURAS DE HARMONIA OU DE EFEITO SONORO: aliteração, assonância, onomatopéia, paronomásia, parequema e o eco ou rima coroada.

Referências
http://rosabe.sites.uol.com.br/versificacao1.htm


Tipos de poemas
 Acalanto - sua origem perde-se no tempo. É um canto popular, singelo, em geral onomatopaico, destinado a embalar o sono das crianças. É cultivado em todas as partes do mundo. Veja o exemplo:

Acalanto, de Dorival Caymmi

É tão tarde
A manhã já vem,
Todos dormem
A noite também,
Só eu velo
Por você, meu bem
Dorme anjo
O boi pega Neném;
Lá no céu
Deixam de cantar,
Os anjinhos
Foram se deitar,
Mamãezinha
Precisa descansar
Dorme, anjo
Papai vai lhe ninar:
"Boi, boi, boi,
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta". (2X)

Acróstico - espécie de mensagem cifrada, oculta no poema, o acróstico se revela pela leitura, na vertical, das letras iniciais (ou mediais) do poema. Vem de tempos remotos; é encontrado na literatura greco-romana, medieval, renascentista, barroca e chegou aos nossos dias. 

Acróstico, de  Roberto Carlos

M ais que a minha própria vidaA lém do que eu sonhei pra mimR aio de luzI nspiraçãoA mor você é assimR ima dos versos que eu cantoI menso amor que eu falo tantoT udo pra mimA mo você assim
M eu coraçãoE ternamenteU m dia eu te entreguei
A mo você M ais do que tudo eu seiO solR aiou pra mim quando eu te encontrei
Balada - composto por três oitavas ou três décimas, que têm as mesmas rimas, seguidas de uma quadra ou quintilha. Sua origem é remota, são cantos medievais italianos, breves, narrativos ou líricos cuja matéria era retirada das lendas populares, anônimas e simples, que contavam eventos trágicos ou cômicos. Essencialmente populares, e transmitidas oralmente, as baladas apresentavam peculiaridades específicas em cada país.

Significado de Balada

s.f. Na Idade Média, poema lírico de origem coreográfica, primeiro cantado, depois destinado somente à recitação.
A partir do séc. XVI, poema de forma fixa, composto de três estrofes seguidas de um refrão de meia estrofe.
Desde o final do séc. XVIII, pequeno poema narrativo formado de três oitavas e uma quadra chamada "oferenda" ou "ofertório": Baladas românticas (Olavo Bilac).
Música Na origem, canção para dançar.
Peça instrumental ou vocal de forma livre, muito empregada pelos românticos: baladas de Schubert, de Chopin.
 F. Schubert - Serenade

  Baladas Românticas - Verde...   
Olavo Bilac, in "Poesias"  

Como era verde este caminho!
Que calmo o céu! que verde o mar!
E, entre festões, de ninho em ninho,
A Primavera a gorjear!...
Inda me exalta, como um vinho,
Esta fatal recordação!
Secou a flor, ficou o espinho...
Como me pesa a solidão!

Órfão de amor e de carinho,
Órfão da luz do teu olhar,
- Verde também, verde-marinho,
Que eu nunca mais hei de olvidar!
Sob a camisa, alva de linho,
Te palpitava o coração...
Ai! coração! peno e definho,
Longe de ti, na solidão!

Oh! tu, mais branca do que o arminho,
Mais pálida do que o luar!
- Da sepultura me avizinho,
Sempre que volto a este lugar...
E digo a cada passarinho:
"Não cantes mais! que essa canção
Vem me lembrar que estou sozinho,
No exílio desta solidão!"

No teu jardim, que desalinho!
Que falta faz a tua mão!
Como inda é verde este caminho...
Mas como o afeia a solidão!

Fonte: http://www.citador.pt/poemas/baladas-romanticas-verde-olavo-bilac

Canção - a canção clássica (italiana ou petrarquiana) é sempre um canto de amor e de saudade. Normalmente, principia pela descrição do cenário onde o poeta evoca a amada; segue-se a lembrança do amor quando nasceu, cresceu e ausentou-se, mas continua a alimentar a vida no poeta. Mesmo quando canta desventuras da vida, a lembrança da mulher amada surge para amenizar a dor e a solidão. Sua estrutura estrófica é bastante variável, bem como o sistema de rimas. 
Elegia - poema de lamento pela morte de alguém amado. Tem sido cultivada desde a Antiguidade greco-romana e chegou ao Romantismo. Caracteriza-se pela composição longa de versos que expressam estados de espírito de tristeza ou dor. 
Haicai - poema de origem japonesa, composto por três versos, sendo o primeiro e o último pentassílabos e o segundo heptassílabo. Originalmente, não possui rima; no Brasil, vem sendo retomado de maneira rimada.
Idílio, Égloga - etimologicamente, idílio é uma pequena ode. O grego Teócrito foi seu primeiro cultor e, como seu assunto era pastoril, a palavra "idílio" passou a caracterizar "poesia pastoril". Mais tarde, o romano Vergílio chamou de égloga ou bucólica a sua poesia pastoril. Daí a difusão dos três termos como sinônimos, no Renascimento e no Arcadismo. Idílio e Égloga nunca tiveram estruturas formais fixas; identificam-se pelo conteúdo: cantam os encantos da vida bucólica. O Idílio com o predomínio da ternura e sentimentalidade; a Égloga com maior visão filosófica da realidade. 
Rondó - formado de três estrofes: uma quintilha, um terceto e outra quintilha, com estribilho constante. 
Sextina - composição de seis sextilhas, um terceto e apresenta versos decassílabos. 
Soneto - poema composto de 14 versos, sendo dois quartetos e dois tercetos. Apresenta, geralmente, versos decassílabos ou alexandrinos. Foi criado no século XIII, na Itália, e levado a sua máxima perfeição por Dante e Petrarca. Através dos tempos tem sido o mais cultivado dos poemas de forma fixa. 
Trova ou Quadrinha - poema popular de quatro versos e de métrica e rima variável. Geralmente encerra um pensamento ou uma "filosofia" insólita. 
Vilancete - composto por um terceto e duas oitavas. 
 Adaptação da fonte:  http://www.tcl-uepb.blogger.com.br/



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