PAISAGEM

ORAÇÃO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

OH! JESUS MEU ETERNO PAI DO CÉU, DOCE CORAÇÃO DE JESUS, SOIS O ME REFÚGIO, MEU GUIA, MINHA LUZ QUE ILUMINA TODO MEU CAMINHO, ME PROTEJA, ME AJUDE, ME DÊ ÂNIMO, CORAGEM E MUITA CONFIANÇA. FIQUE SEMPRE COMIGO. DAI-ME UMA PAZ QUE BROTA DO MEU CORAÇÃO. DAI-ME A GRAÇA DE CONSEGUIR FAZER ALGO PARA VOS AGRADAR. DAI-ME FORÇA, A DECISÃO E CORAGEM. ENVIE TEU ESPÍRITO SANTO E TUDO SERÁ CRIADO. NÃO DEIXE TARDAR EM VOS AGRADECER. ILUMINE MINHA MENTE QUE DEVO FAZER. AJUDE QUE EU NÃO ME ESQUEÇA DE VOS AGRADECER. JESUS FIQUE SEMPRE COMIGO. DOCE CORAÇÃO DE MARIA, RAINHA DO CÉU E DA TERRA. SEJA NOSSA SALVAÇÃO. AMÉM

Observação: Esta oração foi escrita por minha mãe em seus últimos dias de vida /1993. Saudades!

sábado, 7 de abril de 2012

Oração do Milho, de Cora Coralina

Parabéns pela belíssima voz!




Referência

Voz: Lauro Moreira
Visite o site do autor do vídeo: www.quincasblog.wordpress.com

ORAÇÃO DO MILHO, de Cora Carolina
 
Senhor, nada valho.
Sou a planta humilde dos quintais pequenos
e das lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso,
nasce e cresce na terra descuidada.
Ponho folhas e haste, e, se me ajudardes, Senhor,
mesmo planta de acaso, solitária,
dou espigas e devolvo em muitos grãos
o grão perdido inicial, salvo por milagre,
que a terra fecundou.
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo,
de mim não se faz o pão alvo universal.
O justo não me consagrou Pão de Vida
nem lugar me foi dado nos altares.
Sou apenas o alimento forte e substancial
dos que trabalham a terra,
alimento de rústicos e animais de jugo.
Quando os deuses da Hélade corriam pelos bosques,
coroados de rosas e de espigas,
e os hebreus iam em longas caravanas
buscar na terra do Egito o trigo dos faraós,
quando Rute respigava cantando nas searas de Booz
e Jesus abençoava os trigais maduros,
eu era apenas o bró nativo das tabas ameríndias.
Fui o angu pesado e constante do escravo
na exaustão do eito.
Sou a broa grosseira e modesta do pequeno sitiante.
Sou a farinha econômica do proprietário, sou a polenta
do imigrante e a amiga dos que começam a vida
em terra estranha.
Alimento de porcos e do triste mu de carga,
o que me planta não levanta comércio,
nem avantaja dinheiro.
Sou apenas a fartura generosa
e despreocupada dos paióis.
Sou o cocho abastecido donde rumina o gado.
Sou o canto festivo dos galos
na glória do dia que amanhece.
Sou o cacarejo alegre das poedeiras
à volta dos ninhos.
Sou a pobreza vegetal agradecida a vós,
Senhor,
que me fizestes necessário e humilde.
Sou o milho!
 
Esse poema me soa como a própria confissão de Aninha – não a meia confissão, como consta de Vintém de Cobre – Meias confissões de Aninha, livro que viria depois, mas uma confissão de corpo e alma inteiros, o milho se revelando através dos versos de Cora e ela se deixando perceber através dos versos do milho, ele e Cora em uma identificação perfeita, a grandeza explodindo através da humildade. Quando irrompe o verso final – “Sou o milho!”, é impossível não fazer imediata relação com o poema Minha Cidade, que termina assim: “Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa./Eu sou Aninha.”. Milho que, assim como Cora, coloca-se de forma humilde, mas doa-se com espontaneidade.
 
Através de seus versos, o passado revela-se contundente: as vivências da meninice, com todas as dificuldades de ordem material e emocional, são marcantes, são quase fotografias do real, tal a sinceridade e a autenticidade que emana de seus versos, toda sua humildade e simplicidade perpassadas por uma compreensão da vida e uma sabedoria advindas da experiência e da maturidade de uma pessoa extremamente sensível e atenta ao mundo que a cerca. Em Cora, a dimensão individual e a social encontram-se em permanente intercâmbio, em um casamento perfeito e harmônico, sendo ao mesmo tempo causa e conseqüência naturais uma da outra, sem entrarem em choque. E apesar da constante consciência de suas lutas e dificuldades, Cora trafega com naturalidade entre a realidade e o sonho, as dificuldades e a busca, em suas dimensões externa e interna.
Fonte: http://www.plataforma.paraapoesia.nom.br/esther_ensaios.htm 
Por: Maria Esther Torinho é poeta, cronista e contista, graduada em Letras, Psicóloga, Orientadora de Informática Educativa.

 

2 comentários:

  1. Olá Geisa,
    Parabéns pelo blog e sobretudo pela matéria sobre a nossa Cora Coralina. Surpreendeu-me apenas ter ouvido a minha voz no vídeo postado com o poema Oração do Milho, sem qualquer referência ao meu vídeo colocado há muito tempo no You Tube. Confira, por favor.

    Convido-a para visitar também o meu blog: www.quincasblog.wordpress.com
    Cordialmente,
    Lauro Moreira

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  2. Olá Lauro!
    Obrigada pela visita e convite! Eu tenho certeza que aprenderei muito com você. Parabéns pela voz!
    Já postei as devidas referências. Desculpe-me, mas tenho muito que aprender ainda. Não sei nem montar vídeos, apesar de incentivar meus alunos nessa arte. Eu ainda chego lá! Rsrsrs...
    Se quiser me apoiar com outras obras, agradeço desde já.
    Abraços!

    Geisa

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Olá pessoal!
Agradeço seu comentário.
Volte sempre! Geisa