PAISAGEM

ORAÇÃO DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

OH! JESUS MEU ETERNO PAI DO CÉU, DOCE CORAÇÃO DE JESUS, SOIS O ME REFÚGIO, MEU GUIA, MINHA LUZ QUE ILUMINA TODO MEU CAMINHO, ME PROTEJA, ME AJUDE, ME DÊ ÂNIMO, CORAGEM E MUITA CONFIANÇA. FIQUE SEMPRE COMIGO. DAI-ME UMA PAZ QUE BROTA DO MEU CORAÇÃO. DAI-ME A GRAÇA DE CONSEGUIR FAZER ALGO PARA VOS AGRADAR. DAI-ME FORÇA, A DECISÃO E CORAGEM. ENVIE TEU ESPÍRITO SANTO E TUDO SERÁ CRIADO. NÃO DEIXE TARDAR EM VOS AGRADECER. ILUMINE MINHA MENTE QUE DEVO FAZER. AJUDE QUE EU NÃO ME ESQUEÇA DE VOS AGRADECER. JESUS FIQUE SEMPRE COMIGO. DOCE CORAÇÃO DE MARIA, RAINHA DO CÉU E DA TERRA. SEJA NOSSA SALVAÇÃO. AMÉM

Observação: Esta oração foi escrita por minha mãe em seus últimos dias de vida /1993. Saudades!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A Farsa de Inês Pereira - Gil Vicente


"Mais vale asno que me leve que cavalo que me derrube"
            A Farsa de Inês Pereira é considerada a mais complexa peça de Gil Vicente. Ao apresentá-la, o teatrólogo português diz: "A seguinte farsa de folgar foi representada ao muito alto e mui poderoso rei D. João, o terceiro do nome em Portugal, no seu Convento de Tomar, na era do Senhor 1523. 
            O seu argumento é que, porquanto duvidavam certos homens de bom saber, se o Autor fazia de si mesmo estas obras, ou se as furtava de outros autores, lhe deram este tema sobre que fizesse: é um exemplo comum que dizem:
Mais vale asno que me leve que cavalo que me derrube. 
            E sobre este motivo se fez esta farsa."
            A Farsa de Inês Pereira (1523) disputa com o Auto da Barca do Inferno (1517) o posto de melhor obra de Gil Vicente. Exageradamente considerada por uma questão da FUVEST como libelo feminista, na realidade essa peça coloca em foco a condição feminina com aspectos que ainda são, de certa forma, atuais.
            Inês Pereira é uma moça que sofre a pressão constante do casamento, o que já se percebe na primeira conversa que estabelece com sua mãe e Lianor Vaz. 
Essas duas têm uma visão mais prática do matrimônio (entenda-se: o que importa é que o marido cumpra suas obrigações financeiras), enquanto a protagonista está apenas preocupada com o lado prazeroso, cortesão: quer que seu marido saiba aproveitar a vida. Nota-se aqui uma problemática típica do Humanismo, que revela um conflito de duas visões de mundo: o medieval, tradicional contra o moderno.
            O primeiro candidato, apresentado por Lianor Vaz, é Pero Marques, camponês de posses (atendendo às expectativas da mãe), mas extremamente simplório (frustrando Inês). Por causa de sua atuação pândega, é descartado pela moça. O segundo, apresentado por dois divertidíssimos judeus casamenteiros (Latão e Vidal), é Brás da Mata. Mostra-se exatamente do jeito que Inês esperava, apesar das desconfianças de sua mãe.
            No entanto, consumado o casamento, seu marido mostra sua verdadeira face de autoritário, proibindo Inês de tudo, até de ir à janela. Vira o famoso “marido dragão”, na linguagem de Memórias de um Sargento de Milícias. Encarcerada em sua própria casa, a heroína encontra sua desgraça. Ainda assim, essa desventura dura pouco, pois recebe a notícia, por meio de uma carta, da morte (numa forma não muito honrosa) de seu marido.
Viúva e mais experiente, aceita casar-se com Pero Marques. Note que Inês não aceitou os ditames da sociedade, apenas adaptou sua visão de mundo para, discretamente, não se chocar frontalmente com a Moral. Tanto que, após a notícia da sua viuvez, finge estar triste. Além disso, diante do marido marca um encontro com um ermitão, que tinha sido um antigo apaixonado seu.
            Todos esses elementos parecem sustentar uma tese bastante inusitada de Gil Vicente, que fica reforçada no final, quando Inês monta em seu marido e, humilhando-o, lembra o tema que serviu de mote à obra: "mais quero asno que me carregue do que cavalo que me derrube". A idéia parece ser a defesa de que realmente a mulher tem como futuro o casamento, mas que não deve se iludir buscando um príncipe encantado. 
            É muito melhor um tolo que cumpra as funções de marido, sustentando-a ("asno que me carregue"), do que um príncipe maravilhoso que não a trate bem ("cavalo que me derrube"). É interessante também notar que o aspecto prazeroso acaba sendo dissociado do casamento, já que Inês o satisfará encontrando-se com outro homem. Em resumo, enxerga-se que a condição feminina é pesada, mas há como se sair bem nela, sabendo usar um determinado jogo de cintura.
            Além de todos esses aspectos, que estão no campo temático, a obra chama também a atenção por seu lado formal. A peça está inteiramente em redondilha maior e com esquema de rimas em ABBACCDDC. Ademais, há uma colagem de textos (cantigas,  cartas e até ditados populares) compondo uma amálgama, uma colcha de retalhos que constitui um retrato vivo e fiel da riqueza da Língua Portuguesa de sua época. 
            Essa maestria no trabalho com a linguagem também é ressaltada pelo emprego de trechos em espanhol (fala do ermitão), sem mencionar a famosa capacidade que Gil Vicente tem de usar para cada personagem o falar próprio de sua classe social.
            O que mais espanta é que essa rica elaboração não é percebida à primeira leitura, pois Gil Vicente faz um texto tão leve que flui naturalmente, a ponto de nem percebermos que é literatura, no sentido mais pejorativo, ou seja, de sofisticação que dificulta a compreensão.
            Todos esses elementos, portanto, são suficientes para colocar A Farsa de Inês Pereira como um dos melhores textos literários em Língua Portuguesa.
Fonte:http://www.vestibular1.com.br/

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